Mami, ma chère:
O jantar de ontem foi surrealmente aborrecido sem a tua presença frutificante. Eu, a minha mulher (essa pêga estupida), o Jean-Paul e a querida Simone (que te ama deveras!) fumámos cigarros atrás de cigarros, pela ponta errada, em tua honra, e tocámos o Mundo Novo do Dvorak, em copos, com os dedos molhados de um tinto português delicioso que nos ofereceste. Suspirámos e falamos do tempo, o Sartre estava nauseado como sempre e a vaca da minha mulher esteve o tempo todo a acariciar com o pé a perna da mesa a achar que o estava a excitar a ele. Provavelmente estava, cães!
Enfim, tiraram-nos esta foto quando estavamos a lembrar-nos daquele episódio divino em que pegaste fogo ao chapéu-tutti-frutti da Carmen, lembras-te?

Beijos na boca
do teu Boris

Studio Ethel/Rapho Jean-Paul Sartre in Paris in 1952, with Simone de Beauvoir, right, and the writer and musician Boris Vian and his wife, Michelle.

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