SALOMÉ NO SÃO CARLOSA VELHICE LASCIVA E A INFANTIL NOVIDADE
(o público e o espectáculo)

Ontem na estreia da ópera, a Salomé, encenada por Karoline Gruber, foi vaiada à antiga.
A nossa geração não está habituada ao historico ritual de atirar tomates ao palco transvestido de sonoros Buhhhhh buhhhh.
À primeira vista não se estranhava que os endinheirados sexagenarios presentes ficassem um tanto chocados com a história da lasciva e vingativa mulher que, depois de ter sido rejeitada por João Baptista, quisesse a cabeça deste numa bandeja de prata. Até perceber que qualquer pessoa que vá ver qualquer coisa com o titulo de Salomé, já está à espera de ver a bizarra história.
Os velhacos velhos ao meu lado queriam ver sangue espalhado, incesto e sensualidade à mil e uma noites. A encenadora deu-lhes uma infancia caprichosa, num cenário moderno.
O resultado foi um "não gostámos". Houve quem ficasse chocado com a reacção mas de facto só mostra que a centenária opéra é nova afinal, e que no São Carlos ainda se honra o ritual!
Temos é que fazer o mesmo no CCB, na Culturgest e por ai fora.
E já agora avós, eu adorei a ópera!

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