"...Pode ser irrelevante ou desnecessário, mas uma vez vi a reprodução de uma fotografia esmaecida da varanda da casa de Robert Louis Stevenson naquela ilha de Samoa onde passou os seus últimos anos, em que uma luz suave incidia sobre as madeiras gastas pelo tempo, vendo-se móveis de bambu e vime num alpendre, expostos ao Sol e chuva tropicais. Lembrei-me dessa fotografia quando pensava no cenário desta peça, recordando também a tranquilidade e o conforto que a luz pode oferecer, a segurança que transmite num belo fim de tarde de Verão, a maneira como tudo, até o medo da morte, é suavemente tocado e aquietado por ela. O cenário é o pano de fundo de uma peça que lida com as emoções humanas mais extremas e necessita, por isso, desta suavidade."


(notas para o cenógrafo da peça Gata em Telhado de Zinco Quente, do tio Tennessee)

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