Não resisti a fazer uma montagem de um dos últimos filmes que vale a pena ver.
Ficou uma fast love story em 10 minutos, Para aqueles que já duvidam do "felizes para sempre. E para os que andam com sapatos desconfortáveis.


YOU PHOTOGRAPHY LOVERS!!


Não deixem de ver o DeviantArt, um paraíso perdido para todos os animais racionais com olhos!
Podem começar logo com a minha galeria : http://mariamiguel.deviantart.com/
Ou com a do Eduardo Shoenberg : http://criature.deviantart.com/

AI, ai, ai, ai, ai, ai.


Já nem digo - Vamos ver o Xutos. Quando há tanta coisa interessante nesta edição da festa do Avante, como: O coral alentejano dos reformados da Falagueira, a Odete Santos a recitar poesia (com aquela magnifica entoação), o grupo foclórico "As Macanitas", o teatrinho infantil "Maças Vermelhas" e a leitura encenada das Cartas de Prisão (uma especie de Big Brother pré Abriloso). Por estes e muito mais, fica sempre essa hipótese de um fim de semana diferente.
http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=6232&Itemid=227


COMMUNIST PARTY!!

JORGE PALMA - 31 Agosto
Casino Estoril - Entrada Livre
É VÊ-LO ANTES QUE ELE FIQUE SÓBRIO DE VEZ!!


"Novo ano". Nada a perder!!
ENJOY THE SUMMER

Rhapsody in BLUE!


NÃO PERDER NA CINEMATECA
QUINTA-27 ÀS 19:30


O FANTÁSTICO
"ALL ABOUT EVE"

e se alguém sair de lá
sem AMAR a Bette Davis,
bem, pode começar
imediatamente a comer
uma colher de Quitoso
antes de cada refeição.



NÃO PERDER, ESTE SABÁDO À MEIA NOITE O ESPECTÁCULO DE FOGO DE ARTIFÍCIO NO TEJO.
Aurora Sunrise: A Song of Two Humans
Cinema King - Lisboa
Dia 26 4ª: 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30

"Não foram os cães que inventaram os açaimes. Não foram os leões que inventaram os jardins zoológicos. Teriam sido os homens os inventores das leis que os prendem e amarram?"
Sttau Monteiro

Eduardo Shoenberg, esta é para ti que sempre gostaste do gado no geral!!


Os anos aproximam-se silenciosamente.
Autor:
Ovídio




Ciclo "Is someone different at age 18 or 60?? I believe one stays the same"

Quando eramos pequenos achavamos que os adultos eram diferentes de nós, agora que crescemos percebemos que a pessoa é igualzinha a vida toda, seja criança ou velhinho!! O que quer dizer basicamente que toda a gente gosta de Nestum nem que seja acompanhado por uma cervejita!!

Por que não apanhar o ciclo de Hayao Miyasaki na Fnac do Colombo, todos os dias ás 15h, totalmente grátis até ao fim do mês.

Para quem não sabe, este é o realizador de A Viagem de Chihiro, Whisper of the heart e o Castelo Andante. Desenhos animados que fazem as delicias dos 7 aos 70 anos!!
Sugestões: Levar PetaZetas e Roupa interior colorida

Don't take life so seriously!

Publicidade criativa - skol

Longe de mim querer tornar este intelectualíssimo blog num blog erótico, mas achei muito original esta pulicidade! E não há nada melhor que valorizar a criatividade dos outros!








































Um dos meus preferidos #1

A tortura pela esperança
Villiers de L'isle Adam (1838-1889)
Há muitos anos, ao cair da tarde, nos cárceres do Santo Ofício de Saragoça, o venerando Pedro Arbuez de Espila - sexto prior dos dominicanos de Segóvia, terceiro Grande Inquisidor de Espanha -, seguido de um frade redentor (mestre torturador) e precedido de dois encarregados da Inquisição, os quais seguravam duas candeias, descia para uma enxovia perdida. Rangeu a fechadura de uma enorme porta; entraram num mefítico in pace, no qual a janela gradeada lá em cima deixava entrever, entre os anéis chumbados à parede, um cavalete escuro de sangue, um queimador, um cântaro. Sobre uma cama de palha, preso por grilhões, canga de ferro ao pescoço, sentava-se, desfigurado, um homem em trapos, de idade incerta
O prisioneiro não era outro senão o rabino Aser Abarbanel, judeu aragonês acusado de usura e de impiedoso desdém pelos pobres que, tem sido diariamente submetido a torturas, há mais de um ano. Todavia, "sua cegueira é tão dura quanto o seu couro", e ele recusa-se a abjurar sua fé..
O rabino, brioso de uma ascendência milenar, orgulhoso de seus antepassados - pois todos os judeus dignos desse nome são ciosos do seu sangue -, descendia talmudicamente de Othoniel e, por conseguinte, de Ipsiboe, mulher desse último Juiz de Israel, circunstância em que também sustentara a sua coragem diante de incessantes suplícios.
Foi com lágrimas nos olhos, ao pensar que essa alma tão firme se escusava à salvação, que o venerando Pedro Arbuez de Espila, tendo se aproximado do fremente rabino, pronunciou as seguintes palavras:
- Meu filho, alegra-te: vão acabar agora as tuas provações neste mundo. Embora, em face de tanta obstinação, eu tenha sido forçado, com lástima, a permitir o emprego de tantos rigores, o meu encargo de fraterna correção tem seus limites. És a figueira, que passando tanto tempo sem frutificar, vem a mirrar, e só Deus lhe pode julgar a alma. Quem sabe se a infinita Misericórdia te iluminará no teu último instante! Esperemos que assim seja. Tem havido exemplos. Dorme, pois, em paz esta noite. Serás incluído amanhã no auto-de-fé: isto é, saras submetido ao queimadeiro, fogueira premonitória das Chamas Eternas; como sabes, meu filho, só arde à distância e a Morte leva duas horas para chegar (muitas vezes três), por causa dos panos molhados e gelados com que temos o cuidado de proteger a frente e o coração dos holocaustos. Serão apenas quarenta e três. Considere que, estando colocado na última fila, disporás do tempo necessário para invocar Deus, para te ofertar esse batismo do fogo, que é do Espírito Santo. Tenha assim, esperança na Luz e durma.
Ao acabar este discurso, dom Arbuez, depois de, com um gesto, mandar desagrilhoar o infeliz, abraçou-o ternamente. Depois coube a vez ao frade redentor, que, sussurrando, pediu ao judeu perdão pelo que o obrigara a sofrer para o redimir; por fim, cingiram-no os dois encarregados cujo beijo, dado através dos capuzes, foi silencioso. Terminada a cerimônia, deixaram o cativo nas trevas, só e atônito.
* * *
O rabino Aser Abarbanel, de boca seca e olhar embrutecido de sofrimento começou por fitar, sem muita atenção, a porta fechada. - "Fechada?..." Esta palavra, no mais íntimo de si, despertava, nos seus confusos pensamentos, um devaneio. Acontecia que entrevira por um instante, pela fresta entre a porta e a muralha, o cintilar de lanternas. Uma idéia mórbida de esperança, devido à fraqueza de seu cérebro, convulsionou-lhe todo o ser. Arrastou-se para a insólita coisa que aparecera! E, suavemente, inserindo um dedo com grande cautela na nesga, puxou a porta para si. Que assombro! Por extraordinário acaso, o encarregado que a fechara rodara a grossa chave um pouco antes do embate contra os montantes de pedra, de modo que a lingüeta enferrujada não entrara no seu encaixe, e a porta voltou a rodar nos gonzos.
O rabino arriscou um olhar para fora.
Encoberto por uma espécie de obscuridade lívida, distinguiu primeiro um semicírculo de paredes terrosas recortadas por degraus em espiral; e, diante dele, cinco ou seis degraus de pedra acima, um portal escuro, aberto para imenso corredor, do qual apenas as primeiras arcadas lhe eram visíveis.
Deitando-se rastejou até ao rés desse limiar - sim, era mesmo um corredor, mas de comprimento desmedido! Iluminava-o uma luz pálida, um brilho onírico: suspensas das abóbadas, chamas de vigia banhavam de tons azuis, a intervalos, o ar pardacento: - o fundo longínquo era todo sombra. Nem uma porta lateral em toda essa extensão! De um só dos lados, à esquerda, havia seteiras, com grelhas em cruz, abertas nas paredes, que deixavam perpassar o crepúsculo - que devia estar anoitecendo, dadas as réstias rubras que de quando em quando riscavam o lajeado. E que silêncio assustador!... Contudo, ao fundo, nas profundas dessas brumas, uma saída poderia dar para a liberdade! A vacilante esperança do judeu era tenaz, pois era a última.
Sem hesitar, avançou, conservando-se junto à parede, e procurou camuflar-se com o tom sombrio das longas muralhas. Avançou lentamente, arrastou-se com a respiração contida, e reprimia um grito, quando lhe martirizava uma chaga mais recente.De súbito, chegou até ele, no eco da senda de pedra, o ruído de sandálias que se aproximava. Tremeu; a ansiedade abafava-o; escureceu se lhe a vista. Não era possível! Seria o fim? Agachou-se num côncavo e, quase morto, esperou.

Era um encarregado apressado. Passou rapidamente, de lacerador na mão, de capuz rebaixado, terrível, e desapareceu. A agonia do rabino parecia ter-lhe interrompido a própria vida, e ali ficou ele, quase uma hora, incapaz de mover-se. Receando redobrados tormentos caso fosse apanhado, assaltou-o a idéia de voltar ao calabouço. Mas a velha esperança sussurrou-lhe na alma o divino talvez, que nos conforta sempre, nas mais dolorosas circunstâncias. Acontecera um milagre! Não havia que duvidar mais! Pôs-se a rastejar de novo, para a possível fuga. Avançava extenuado de sofrimento e de fome, trêmulo de angústias - e esse sepulcral corredor parecia alongar-se misteriosamente! E ele, avançando sem parar, continuava mirando a sombra distante, onde tinha de estar a saída salvadora.
- Oh! Oh! - voltavam a soar passos, mas, desta vez, mais lentos e mais pesados. Surgiram, ao fundo, emergindo no ar pardacento, com os seus chapéus compridos e de abas enroladas, as formas brancas e negras de dois inquisidores. Conversavam em voz baixa e pareciam discutir sobre um ponto importante, pois gesticulavam veementemente.
Ao vê-los, o rabino Aser Abarbanel fechou os olhos: batia-lhe tão desordenadamente o coração que quase o sufocava; seus andrajos estavam úmidos do suor da agonia; conservou-se imóvel, estendido ao longo da parede, a boca aberta, sob os raios luminosos de uma chama de vigia, orando ao Deus de David.
Diante dele, os dois inquisidores detiveram-se sob luz fraca da lâmpada - e isto certamente por um acaso da discussão. Um deles, escutando o seu interlocutor, se pôs a olhar para o rabino. E, sob esse olhar, cuja expressão absorta começou por não compreender, o infeliz julgava sentir as tenazes quentes a lacerarem-lhe de novo as pobres carnes; então ia voltar a ser um grito e uma chaga! Desfalecendo, oprimido, com as pálpebras vibrantes, arrepiava-se ao roçar do burel do outro. Mas, coisa estranha, mas natural, o olhar do inquisidor era evidentemente o de alguém profundamente absorto na resposta que daria, absorto pelo que ouvia: estava fixo - e parecia olhar o judeu sem o ver!
Com efeito, passados alguns minutos, os dois sinistros debatedores continuaram o seu caminho, a passos lentos, sempre conversando em voz baixa, em direção ao compito de onde viera o prisioneiro: NÃO FORA VISTO!... No meio da horrível confusão dos pensamentos, brotou-lhe do espírito esta idéia: "Não me vêem porque estou morto?" Uma horrível impressão tirou-o da letargia: ao fitar o muro, junto ao rosto, julgou ver, diante dos seus, dois olhos ferozes que o espreitavam!... Voltou a cabeça num súbito frenesi de pavor, arrepiando-se-lhe os cabelos!... Mas, não! Não. Esfregou a argamassa com a mão: era o reflexo dos olhos do inquisidor, ainda impressos nos seus, e deles projetados sobre duas manchas na muralha.
Adiante! Ele precisava apressar-se para a meta que imaginava (absurdamente, sem dúvida) ser a sua salvação, para as sombras das qual não distava agora mais de trinta passos. Atirou-se de joelhos, com as mãos espalmadas arrastou-se penosamente, e dai a pouco entrava no trecho escuro daquele horrível corredor.De súbito, o miserável sentiu um frio nas mãos que apoiava nas lajes: uma lufada de ar frio, vinda de baixo de pequena porta, aonde iam ter as duas paredes. - Ah, Deus! Se esta porta desse para o lado de fora! Sentiu-se invadido de uma vertigem de esperança! Examinou a porta de alto a baixo, sem conseguir distingui-la bem, dada a escuridão que reinava à volta. - Pôs-se a tatear: nem ferrolho, nem fechadura. - Uma simples aldrava!... Endireitou se: o trinco cedeu-lhe ao polegar: a silenciosa porta abriu-se diante dele.
* * *
- ALELUIA!... - murmurou, num imenso suspiro de ação de graças, o rabino, que estava agora em pé no limiar, contemplando a cena que tinha diante dos olhos.Ao abrir se, a porta deixara ver jardins, uma noite estrelada! A primavera, a liberdade, a vida! Dava para os campos que se prolongavam para as serras, cujas sinuosas linhas azuis se perfilavam no horizonte - enfim, era a salvação! Ah, fugir! Havia de correr toda a noite por entre os limoeiros cuja fragrância chagavam até ele. Uma vez nas montanhas, estaria salvo! Inalou o bom ar sagrado; o vento reanimava-o, expandiram-se-lhe os pulmões. Sentiu, no coração dilatado, o Veni foras de Lázaro! E, para voltar a abençoar o Deus que lhe concedia tal misericórdia, estendeu os braços à sua frente, elevando os olhos ao firmamento. Era o êxtase da alegria!
Então, julgou ver a sombra dos seus braços virar-se para ele: - julgou sentir que esses braços o abraçavam, o enlaçavam, e que o cingiam ternamente ao peito de alguém. De fato, havia uma alta figura junto da sua. Confiante, desceu o olhar para essa figura - e ficou imóvel, ofegante, estarrecido, de olhar baço, tremendo, de faces inchadas e espumando de terror.
- Horror! - estava nos braços do Grande Inquisidor, o venerável Pedro Arbuez de Espila, que o fitava, com grossas lágrimas nos olhos, e um ar de bom pastor que voltou a encontrar a ovelha tresmalhada!...
O tenebroso dominicano apertava o judeu ao peito com tão fervoroso impulso de caridade, que os picos do cilício monástico lhe esgadanharam a pele. E, enquanto o rabino Aser Abarbanel, de olhos revoltos sob as pálpebras, estrebuchava de angústia entre os braços do ascético Dom Arbuez e percebia confusamente que todas as fases da fatal noite mais não eram do que um suplício previsto, o da Esperança!, o Grande Inquisidor, num tom de pungente censura e de olhar consternado, murmurava-lhe ao ouvido, com o hálito ardente e debilitada pelos jejuns: - Então, meu filho, o que é isso? Então, na véspera talvez da salvação... querias deixar-nos?

As Cidades e o Desejo. 3

De duas maneiras se chega a Despina: de navio ou de camelo. A cidade apresenta-se diferente a quem a vem por terra e a quem vem por mar.

O condutor de camelos que vê aparecer no horizonte do planalto os pináculos dos arranha-céus, as antenas de radar, esvoaçar nos aeroportos as mangas de vento brancas e vermelhas, deitar fumo as chaminés; pensa num navio, sabe que é uma cidade mas pensa-a como uma nau que o leva para fora do deserto, um veleiro que esteja para zarpar, com o vento já a inchar-lhe as velas ainda não desfraldadas, ou um vapor com a caldeira a vibrar na querena de ferro, e pensa em todos os portos, nas mercadorias do ultramar que os guindastes descarregam no cais, nas tabernas onde tripulações de diferentes bandeiras quebram garrafas nas cabeças uns dos outros, nas janelas iluminadas dos rés-do-chão das casas, cada uma com uma mulher a pentear-se.

Por entre o nevoeiro da costa o marinheiro distingue a forma de uma bossa de camelo, de uma sela bordada de franjas cintilantes entre duas bossas sarapintadas que avançam a balançar, sabe que é uma cidade mas pensa-a como um camelo de cuja albarda pendem odres e alforges cheios de frutas cristalizadas, vinho de palmeira, folhas de tabaco, e já se vê à cabeça de uma longa caravana que o leva para fora do deserto do mar, a caminho de um oásis de água doce à sombra serrilhada das palmeiras, para palácios de grossas paredes caiadas, de pátios com mosaicos em que dançam descalças as bailarinas,e que movem os braços um pouco dentro e um pouco fora do véu.

Todas as cidades recebem a sua forma do deserto a que se opõem; e é assim que o condutor de camelos e o marinheiro vêem Despina, cidade de fronteira entre dois desertos.

Italo Calvino, As Cidades Invisíveis