Christmas is the only time of the year where you have the odd feeling that all your dreams can be bought!!
Inspiration is like Aspirin for your Aspirations!
Espreitem em baixo!!

Cheshire Cat: "Only a few find the way, some don't recognize it when they do, some don't even want to."
Grilo Falante: "You buttered your bread. Now sleep in it! "
Will love conquer all??
De seguida a opinião de um especialista no assunto...
em eslovaco e olhos verdes!

De reparar nos arcos em ógiva, vitrais, retábulos com o ciclo Mariano, e a rosácea =catedral gótica ou a arquitectura da luz! Muito criacionista!

Aqui vai o único Jingle Bells que eu ainda suporto!
Para mim o driving home for christmas é mesmo no autocarro da carris, ou no comboio qué pra demorar muito tempo e dar aquele feeling !


Qualquer dia os extraterrestes vêm cá raptar o Mel Gibson para lhes fazer um filme sobre a História Geral do Homem. Ei Mel, para quando a verdadeira história do Pai Natal??


Em Janeiro

Um Casaco de Raposa Vermelha 5/5

...e de manhã iria buscar o casaco, porque era o dia marcado e ele era seu, fazia parte dela, conhecê-lo-ia mesmo de olhos fechados, pelo tacto, a pele macia, espessa, ardendo sobre a sua, ajustada perfeitamente, a ponto de não se destinguir dela-
-Feito para si, disse de novo a vendedeira triando-o da cruzeta.
A pele ajustada à sua, a ponto de não se distinguir dela, viu no espelho levantando a gola em volta da cabeça, o rosto desfeito, de repente emagrecido, desmesuradamente alongado pela maquilhagem, os olhos em fenda, ardendo sem sono.
-Então bom dia e obrigada, disse saindo à pressa, receando que o tempo que lhe restava se esgotasse e as pessoas alarmadas parassem a olhá-la, porque de repente era demasiado forte o impulso de pôr as mãos no chão e começar a correr à desfilada, reencarnando o seu corpo, reencontrando o seu corpo de animal e fugindo,
E assim foi com esforço quase sobre-humano que conseguiu entrar no carro e rodar até à orla da floresta, segurando o seu corpo, segurando ainda um minuto mais o seu corpo trémulo - antes do bater da porta e do verdadeiro salto sobre as patas livres, sacudindo o dorso e a cauda, farejando o ar, o chão, o vento, uivando de prazer e de alegria e desaparecendo, embrenhando-se rapidamente na profundidade da floresta.

the end


"music: a complex organization of sounds that is set down by the composer, incorrectly interpreted by the conductor, who is ignored by the musicians, the result of which is ignored by the audience."
Leadbelly
First rule in a breakup relantionship:
Never stop thinking about the "ex".That's when he appears...

Provocação....

O Intelecto Como Exagero

"A beleza, a verdadeira beleza, acaba onde a a expressão intelectual começa. O intelecto é já uma forma de exagero e destrói a harmonia de qualquer rosto. Assim que nos sentamos a pensar, ficamos só nariz, ou só testa, ou uma coisa horrível do género. Olha para os homens bem sucedidos em qualquer das profissões eruditas. Como são perfeitamente hediondos! A não ser, evidentemente, na Igreja. Mas a verdade é que na Igreja eles não pensam. Um bispo continua a dizer aos oitenta anos o que lhe mandaram dizer quando era um rapaz de dezoito e, por conseguinte, parece sempre perfeitamente encantador."
Oscar Wilde, in 'O Retrato de Dorian Gray'

Um Casaco de Raposa Vermelha 4/5
Tinha mais fome, agora, sentiu arrumando os livros e abrindo a porta da cozinha, e isso desagradava-lhe profundamente, admitia que era a contrapartida negativa do exercicio fisico e procurava um modo de contornar o perigo de engordar, vagueava, insatisfeita, em torno das pastelarias, sem atinar o que procurava, porque o próprio cheiro do café era repugnante e a enjoava, tinha fome de outras coisas, não saberia dizer exactamente o quê, fruta, talvez, poderia aproveitar para emagrecer um pouco, comprou uma enorme quantidade de uvas e maçãs e comeu-as todas no mesmo dia, mas continuou a sentir fome, uma fome oculta, que a roía por dentro e não parava.
Um inesperado convite para uma festa alegrou-a, sentiu que qualquer derivativo seria bem vindo para esquecer aquela fome absurda, vestiu-se com prazer e pintou a boca e as unhas de escarlate - tão compridas,as unhas, reparou, e as próprias maõs pareciam mais sensiveis, alongadas, quem ela acariciasse na festa ficaria eternamente em seu poder, pensou, e sorriu no espelho- um sorriso felino, viu, pondo os olhos em fenda e sorrindo mais, deixando o sorriso escorrer pelo rosto e dando-lhe aos traços uma certa orientação triangular que lhe agradou e sublinhou ainda mais com maquilhagem.
A meio da festa reparou numa peça de carne a ser partida, meio em sangue - rosbife, lembrou-se, mas essa palavra não fazia de repente qualquer sentido, estendeu a mão e engoliu uma fatia- o gosto da carne, quase crua, o gesto de cravar os dentes, de fazer saltar o sangue, o sabor do sangue na lingua, na boca, a inocência de devorar a peça inteira, pensou tirando outra fatia e sentindo que estender a mão já era um desvio inutil, deveria estender directamente a boca.
Desatou a rir e começou a dançar, com as mãos oscilando no ar, manchadas de sangue, sentindo subir o seu próprio sangue, como se uma tempestuosa força interior de desencadea-se, uma força maligna que poderia transmitir aos outros, uma peste ou uma maldição, mas essa ideia era suave, tranquila, quase alegre, sentiu flutuando, ligeiramente embriagada, e escutando o eco do seu próprio riso.
Passaria a noite obedecendo a todas as formas que dentro de ela se soltassem, e de manhã iria buscar o casaco....

The 8 Irresistible Principles of Fun
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Um Casaco de Raposa Vermelha 3/5
É por causa da ginástica, pensou, por alguma razão começara a fazer regularmente exercício. Havia meses já que conseguia correr duas horas por semana no campo de treino. Mas gostava sobertudo de correr na orla da floresta, à saída da cidade, sentindo a areia a estalar debaixo dos pés, aprendendo a colocar os pés no chão de outra maneira. O contacto perfeito, íntimo, directo, com a terra. Sentir profundamente o corpo - estva mais viva, agora, mais alerta.
A sua capacidade de percepção crescia, notou, mesmo à distancia ouvia ruídos diminutos, que antes lhe passariam despercebidos, uma sardanisca fugindo no chão entre as folhas, um rato invisível fazendo estalar um ramo, uma bolota caindo, um pássaro pousando entre as ervas; pressentia também, muito antes de elas terem lugar, as mudanças atmosféricas, o virar do vento, o subir da húmidade, o avolumar-se no ar da tensão que descarregaria em chuva.
E os cheiros, um mundo de cheiros, sentiu, como uma dimensão ignorada das coisas a que agora se tornara sensível, poderia descobrir caminhos, trilhos, pelo olfacto, era estranho como nunca tinha dado conta como todas as coisas cheiravam, a terra, a cascas das árvores, as ervas, as folhas, e também cada animal se destinguia pelo seu odor peculiar, cheiros que vinham no ar desdobrados em ondas, em leque, e ela junatava-os ou separava-os, aspirando o vento, levantando imperceptivamente a cabeça.
Interessava-se de repente por animais, dava consigo a desfolhar enciclopédias, a olhar imagens - o ouriço-cacheiro com uma cor mole, tenra, clara, na parte de dentro do corpo onde não havia espinhos, a lebre rápida, em tons indecisos, saltando, fascinava-a o corpo dos pássaros que analisava com minúcia, calculando como era suave, para lá das penas e uma palavra lhe ficava por vezes boiando insistentemente na memória: predador...

too much detail.com

Um Casaco de Raposa Vermelha 2/5
Recuou, assustada, ouvindo a resposta. Custava muito mais do que pensara, cinco vezes mais do que o dinheiro que teria disponivel.
-Mas podemos facilitar o pagamento, disse a vendedeira, compreensiva.
Talvez sacrificando as férias, pensou. Ou desviando algum dinheiro do emprestimo do carro. Aquecendo menos o quarto, fazendo refeições mais ligeiras. Convinha-lhe, até, porque estava a engordar um pouco.
-Aceito, disse fazendo rapidamente contas de cabeça. Dou-lhe o sinal e começo a pagar na próxima semana. Mas desde já ele é meu.
-De acordo, disse a vendedeira espetando-lhe uma etiqueta "vendido". Pode levá-lo quando efectuar a terceira prestação.
Passou a vir à noite, quando a loja estava fechada e ninguém a via, olhava através do vidro e de cada vez se alegrava - de cada vez mais brilhante, mais cor de fogo, labaredas vermelhas que não queimavam, antes eram macias sobre o corpo, uma pele espessa, ampla, envolvente, balançando com o seu andar.
Seria admirada, também ela, seguida com os olhos quando passasse - mas não era isso que a fazia sorrir secretamente, era antes uma satisfação interior, uma certeza obscura, uma sensação de harmonia consigo própria, que extravasava em pequenos nadas, deu conta. Como se o ritmo da espiração mudasse, fosse mais repousado e profundo.
Por outro lado, talvez porque deixara de sentir-se cansada, deu conta que se movia agora muito mais depressa que habitualmente, caminhava sem esforço pelo menos com o dobro da velocidade normal. As pernas ágeis, os pés ligeiros. Toda mais leve, rápida, com movimentos fáceis do dorso, dos ombros, dos membros....

Branco mais branco não há!!

Conto da Semana
um dos favourites
(Dedicado aqueles infelizes que estão no trabalho e não podem aceder a sites mais interessantes que este e até nem se importam de ler cronicas de viagens, jornais online, tarots, consultorios medicos e outros e outras de diferentes generos)
Um Casaco de Raposa Vermelha 1/5
Teolinda Gersão
Ao voltar um dia para casa, uma pequena empregada bancaria vê numa loja de peles um casaco de raposa vermelha. Pára diante da vitrine, com um calafrio de prazer e de desejo. Porque aquele é casaco que sempre desejou ter na vida. Nenhum outro de lhe assemelha, pensa percorrendo com os olhos os outros casacos, pendurados num varão de metal ou suavemente estendidos sobre o sofá de brocado. Aquele é uma peça rara, única, jamais vira um tom assim, fulvo, mesclado, com reflexos de cobre e brilhante como se estivesse a arder. A loja estava fechada àquela hora, lembrou-se no momento em que empurrava a porta, cedendo ao impulso de entrar. Amanhã viria, então, o mais cedo possivel, no intervalo do almoço, durante a manhã, encontraria um pertexto para sair rapidamente, a meio da manhã.
Dormiu pouco, essa noite, acordou inquieta, levemente febril. Contou os minutos que faltavam para abrir a loja, os seus olhos erravam do relógio da parede para o relógio de pulso, enquanto atendia os clientes, debruçada no balcão. Tão cedo quanto pode encontrou uma razão para sair e correu à loja de peles, tremendo com a ideia de que o casaco pudesse estar vendido. Não estava, informaram-na, e ela sentiu de repente o ar a voltar-lhe, o coração a bater com menos força, o sangue a descer da face e retomar compassadamente o seu fluxo.
-Parece feito para si, disse a vendedeira quando ela o vestiu e se voltou no espelho. A medida exacta de ombros, da cintura, a altura idela da bainha, disse ainda, e olhe como fica bem à cor da sua pele. Não tenho interesse em lho vender, apressou-se a acrescentar, pode evidentemente optar por qualquer outro mas, se lhe posso dar uma opinião, esse parece feito para si. Exactamente para si, sublinhou com um sorrizo fugidio.
-Qual é o preço? perguntou dando meia volta e fazendo dançar a bainha, porque lhe era dificil despregar os olhos da imagem.
Recuou, assustada, ouvindo a resposta.
BEAUTY is in the eye of the beholder???
No!
Beauty is Photoshop!!!


Photoshop
Colocado por cybermac
MARXISMO, Irmãos...
Isto nem Romeu e Julieta

The Show must...

Vítor Pinhão
The show must...
pintura/instalação
inauguração (lisboa)
quinta, 7 de Dezembro de 2006
a partir das 17h

Uma mancha é uma cicatriz na memória que se obstina em demarcar o incomensurável território do esquecimento. O esquecimento, sei-o agora, não é um buraco na memória, não é a negação de um facto, nem das espectativas da nossa infância ou das nossas ficções de juventude. Esquecer é nivelar a intensidade de tudo aquilo que surge na memória, de modo imprevisto ou propositado, colocando-o como uma armadilha que nos precipita na fantasia esquecendo o viver.

De mancha a mancha, de gesto a gesto, reconstitui-se o que tantas vezes é considerado uma singularidade, e que a vida, uma e outra vez, nos confirma como simples banalidade.