Prostituição Auditiva
O português gostava era de ouvir as pronuncias dela. Pagava notas só para ficar escutando a noite inteira. Mariana não tinha que fazer mais nada: só divagar, devagar sem sexo e sem nexo. O tuga, militar até aos botões, só queria que a prostituta falasse.
O português gostava era de ouvir as pronuncias dela. Pagava notas só para ficar escutando a noite inteira. Mariana não tinha que fazer mais nada: só divagar, devagar sem sexo e sem nexo. O tuga, militar até aos botões, só queria que a prostituta falasse.
- Mas falar o quê?
A primeira noite ainda a moça perguntou. Depois entendeu que ele gostava era de nenhumices, simples perfume de sílabas. O homem estaria ali por livre e não espontanea vontade? Enfins, coisas de branco.
- Vocês, as pretas, não são como as nossas mulheres.
- Como não somos?
- Vocês falam com o sangue.
Mariana ainda insistiu em namoriscar, remexendo as carnes, toda ela oferecível. Mas ele nada. Ficava quieto, só os olhos desembarcavam no corpo dela. A prostituta até se ofendia com aquela inactuância do macho. Seria porque ela não apresentava tatuagens, como os homens de sua raça requeriam? Mulher sem riscos na flor da pele é mulher escorregadiça. Esse é o mandamento da tradição. Mas parece não era.
- É escusado, Mariana. Eu não toco em preta. Fui educado assim.
- Ao menos me espalhe um creme, mezungo.
- Um creme?
- É que nós, pretas, secamos mais que lagartos. É a nossa raça, me faça um favor.
Mas ele recusava, nem pele nem óleo Alergia a gorduras, justificava já em antecipado arrepio. Ela, então, a si mesma se besuntava. Demorava os finos dedos nas intimidades, escorria sensualidade pelas reentrâncias Depois, já bem abrilhantadinha, ela se rebolinava à frente do militar lusitano.
- Ainda você não me quer?
Negativo. Mariana, já sem fogo, deitava em esteira e palavreava sem fim. No colchão rasteiro, o portuga adormecia. Ela ainda ficava falando por um tempo, até se certificar que ele descera às profundezas.
Horas depois, ele se apressava a sair. Pagava os variáveis honorários. Ela amarfanhava os dinheiros no soutien. Já sabia o seguinte: antes de sair o branco lhe pedia para cheirar as notas, tomava-as como se fossem delicadas flores e nelas aspirava fundamente o cheiro do suor dela. Depois, tocava as notas e dizia:
- Eu transpiro para as ter, tu tem-las transpiradas.
Ela sorria, sem entender o repuxado português, quem sabe era um simples lusofolia. Ao despedir-se a mulher sempre insistia em lhe perguntar o nome, apelido de sua existência Mas ele suavemente se desleixava: nunca, nem jamais.
- Meu nome? Não interessa, não te interessa.
Ele não queria, não podia, não devia. Branco que frequenta as negras não leva sobrenome. É um soldado, ponto final. E colocando um dedo ríspido sobre os lábios de Mariana chegou mesmo a ameaçar: que nunca mais ela se atrevesse a querer saber da identidade dele.
Até que certa noite a prostituta se apresentou afónica, enguiçada nas cordas.
- Hoje não tenho palavra para lhe dar, soldado.
Foi murmúrio único. Ele se sentou. Sentiu, antecipada, a carência da voz dela. Nunca concebeu que a falta desse reconforto lhe viesse a doer tanto. Olhou para Mariana, estranhando. Canoa se inventou antes do rio? O militar de aprontou em serviço de cozinha. Instantaneou um chá, desses curadouros de garganta. Mariana se consolou mais com o gesto dele que com o remédio. Rodou a chavena de alumínio enquanto olhava para nada:
- É que bateram em Helena. Mataram ela!
- Quem é essa, a Helena?
- Era uma outra..colega.
Ela dobrou as costas, chorando. O militar se sentou por trás dela e lhe falou. Com voz de mar, suas palavras eram vagas que nunca encontravam praia. E contou-lhe da sua tristeza. Sim, ele também sabia o que era ver morrer um colega. E se perguntava, tal como ela:
- Que faço eu no meio disto tudo? Esta guerra, de quem é esta guerra?
A prostituta deu por ele limpando o rosto na manga. Uma furtiva tristeza, véspera de lágrima? Entendeu tocar-lhe no cabelo, esse cabelo fino que faz com que os brancos aparentem bonecos de brincar. Mas já o português pegava na caixinha do creme.
- Deixa, eu te esfrego, Mariana.
Ela sobrancelhou uma surpresa. Ele aceitava tocar-lhe? Voltou a sentar, oferecendo as costas. A mão dele sonhou, divagande e devagarosa. Os dedos recheados de óleo pareciam chuva escorrendo sobre água. Mariana sentia o aconchego dele.
E eles, muito ambos, aconteceram-se. O soldado escutou, pela primeira vez, o sotaque do corpo dela. O mundo a perder de vistas, o rio perdendo suas margens. No final, bem no fim de tudo, ele se estendeu na esteira e, olhando para além do tecto, disse:
- Sou Raimundo, o major Raimundo!
(do Mia Couto)
Birds flyin' high you know how I feel
Sun in the sky you know how I feel
Breeze driftin' on by you know how I feel
Its a new dawn, its a new day, its a new life for meyeah,
its a new dawn its a new day its a new life for me ooooooooh
AND I'M FEELING GOOD
Fish in the sea, you know how I feel
River runnin' free you know how I feel
Blossom on the tree you know how I feel
Its a new dawn, its a new day, its a new life for me
And I'm feelin good
Dragonfly out in the sun you know what i mean dont you know
Butterflies all havin' fun you know what I mean
Sleepin' peace when day is done that's what I mean
And this old world is a new world and a bold world for me
Stars when you shine you know how I feel
Scent of the crime you know how I feel
Your freedom is mine, and I know how I feel
Its a new dawn, its a new day, its a new life for me
OH I'M FEELING GOOOOOOOOOOOOOD
Sun in the sky you know how I feel
Breeze driftin' on by you know how I feel
Its a new dawn, its a new day, its a new life for meyeah,
its a new dawn its a new day its a new life for me ooooooooh
AND I'M FEELING GOOD
Fish in the sea, you know how I feel
River runnin' free you know how I feel
Blossom on the tree you know how I feel
Its a new dawn, its a new day, its a new life for me
And I'm feelin good
Dragonfly out in the sun you know what i mean dont you know
Butterflies all havin' fun you know what I mean
Sleepin' peace when day is done that's what I mean
And this old world is a new world and a bold world for me
Stars when you shine you know how I feel
Scent of the crime you know how I feel
Your freedom is mine, and I know how I feel
Its a new dawn, its a new day, its a new life for me
OH I'M FEELING GOOOOOOOOOOOOOD
http://www.minneapolisfuckingrocks.com/mp3/06%20My%20Egyptian%20Grammar.mp3http://www.minneapolisfuckingrocks.com/mp3/Fiery%20Furnaces%20-%20Duplexes%20Of%20The%20Dead.mp3
(ohh como era fixe eu saber fazer links bonitinhoss)
ON BRANDO/ON WARHOL
docLISBOA
28 Out. 22.45 - Cinema São Jorge (Sala 1)
Brando [MD]de Leslie Greif e Mimi Freedman 165´ EUA 2007
Três anos após a sua morte, a vida de Marlon Brando permanece um mistério. Este documentário tenta desvendar a vida de um actor tão lendário quanto excêntrico combinando entrevistas a, entre muitos outros, Martin Scorsese, Johnny Depp e Al Pacino, com imagens inéditas, entre as quais o screen test de "Rebel Without a Cause" e vários filmes de família. (do site)

28 Out. - Cinema São Jorge (Sala 3)1ª parte: 11.00 2ª parte: 13.45
Andy Warhol: a Documentary Filmde Ric Burns 240' EUA 2006
"Andy Warhol: A Documentary Film" é um empolgante documentário de quatro horas sobre o artista mais famoso, mas também mais incompreendido, da segunda metade do século XX. Com narração de Laurie Anderson e Jeff Koon, este episódio da série "American Masters" da PBS é
um mergulho de cabeça na obra colossal de Warhol, tendo sido o primeiro documentário a explorar a fundo o imenso espólio guardado no Andy Warhol Museum de Pittsburgh não só para iluminar a sua carreira artística, mas também a sua biografia pessoal. Um filme de Ric Burns, um dos mais importantes realizadores americanos de documentários para televisão da actualidade. (do site)
Russia, Germany, Romania, they can have all the democracy they want
They can have a big democracy cakewalk
Right through the middle of Tiananmen Square
and it wont make a lick of difference
Because weve got the bombs, OK?
John Wayne's not dead, hes frozen,
and as soon as we find a cure for cancer
Were gonna thaw out the duke and hes gonna be pretty pissed off
You know why,Have you ever taken a cold shower, well multiply that by 15 million times
Thats how pissed off the dukes gonna be!
I'm gonna get the Duke, and John Cassavetes,and Lee Marvin, and Sam Peckinpah, and a case of whiskey,and drive down to Texas and say.....
Assinar:
Postagens (Atom)









