Querido Dylan
Não percebo porque é que mandaste o teu avô vir cantar, em vez de ti. Não percebo o que que o teu avô esteve a cantar durante duas horas. Nem percebo em que lingua o estava a fazer.
Querido Bob, podia ter sido o Mr.Tambourine Man, o Hurricane, o I Want You, o Blowin' In The Wind, o Just Like a Woman, o Knockin' On Heaven's Door, o LAY LADY LAY, caraças!
Mas não, não. Tinhas que te armar em original. Tinhas que ser de agora. Não percebes que tu não és de agora! És de ante-ontem. És uma twilight-zone do tempo em que a Sophia Loren tinha cintura. Ninguem que te foi ver, queria ver o teu avô, baixote ao pianinho. Valeu te a apoteose, o teu canto do cisne, finalmente sincero!
Ohhh Once upon a time you dressed so fine,
You threw the bums a dime in your prime, didn't you?
But Now you don't talk so loud,
Now you don't seem so proud
You're invisible now,
you got no secrets to conceal.
How does it feels
To be a complete unknown?
...A ROLLING STONE!
De uma fã desiludida
"Então expliquei-lhe que o lavagante é principalmente um animal de tenebrosa memória, paciente e obstinado, e terrível nos seus desígnios. Contei-lhe como ele serve o safio que está nas tocas submersas, levando-lhe a comida a todas as horas, e como a sua existência anda presa a essa serpente estúpida de grandes sonos, vendo-a engordar, engordar, até saber que a tem bloqueada, incapaz de sair do buraco porque o corpo cresceu de mais, enovelou-se, e não cabe na abertura por onde podia libertar-se. Nesse momento, fica sabendo, o lavagante servil aparece à boca da toca do safio mas já não traz comida. Vem de garras afiadas devorar o grande prisioneiro que alimentou durante tanto tempo."
Zé Cardoso Pires "Lavagante"
Terra do pecado, 1947Manual de pintura e caligrafia, 1977
Levantado do chão, 1980
Memorial do convento, 1982
O ano da morte de Ricardo Reis, 1984
A jangada de pedra, 1986
História do cerco de Lisboa, 1989
O Evangelho segundo Jesus Cristo, 1991
Ensaio sobre a cegueira, 1995
A bagagem do viajante, 1996
Cadernos de Lanzarote, 1997
Todos os nomes, 1997
A caverna, 2000
O homem duplicado, 2002
Ensaio sobre a lucidez, 2004
As intermitências da morte, 2005
As pequenas memórias, 2006
E vai um!
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