Crónicas de uma Hospedeira Explorada apresenta...
...As Hospedeiras-Coelhinho
Pior que fazer um trabalho de hospedeira, só fazê-lo sozinha. É por essa razão que são muito bem vindas as colegas, sejam elas quem forem. Como é lógico, nem sempre se tem a sorte de se trabalhar com quem já se conhece, o mais normal é conhecer-se gente nova, boa ou má, porreira ou cretina, como em todos os lados. E é assim que a hospedeira ganha amizades ou inimizades, pois em qualquer dos casos, já se sabe, há pouca coisa que una mais que a desgraça.
Não é das que ficam amigas que quero falar, nem mesmo das inimigas que também pouco duram. Hoje quero verbalizar sobre um tipo de hospedeira específico, que é, quiçá, o verdadeiro estereótipo de hospedeira. Vou chamar-lhe a Hospedeira-Playboy (H.P).
Vamos pôr as coisas neste sentido, se há homens que se chegam com a prosapia imbeciloíde é porque há Hospedeiras-Playboy, se há patrões depravados que nos tratam por Babe e nos mandam pôr as mamas fora do decote é porque há Hospedeiras-Playboy, em suma, se há badalhoquice no honesto metier da hospedagem é porque há Hospedeiras-Playboy.
Como o nome indica, o sonho destas hospedeiras é aparecer na Playboy ou em qualquer publicação do género que faça dinheiro a expor em 2D glândulas insufladas e outras audacias anatómicas. Ora, não se sabe bem se a H.P é hospedeira porque quer dinheiro ou porque realmente quer é aparecer nua em posições de bestiário medieval ao lado de frases sonantes, entre aspas, do género “A mulher que mais admiro é a madre Teresa de Calcutá”, enquanto o leitor exclama folgazão: “Mas que grande puta!”
Uma coisa é certa, a H.P precisa de passar umas temporadas a aturar povão para poder pagar a prestação das mamas, a manutenção do gel das unhas e a cueca rendada que pisca o olho maroto ao patrãozinho, sempre que a desgraçada se curva, qual Cicciolina, para apanhar o brinde caído.
Daí haver um tipo específico de acções para estas hospedeiras de alto gabarito. São elas que vão dançar para Marraquexe, são elas que se despem de pequenos animaizinhos para animar jantares, são elas que fazem reclame a lingerie comestível, são elas que se abanam com as caipirinhas, são elas que se esparramam em capots brilhantes.
E nós, as Só-Hospedeiras, temos que rezar ao panteão para não nos confundirem com elas, pelo menos, durante o expediente.
...As Hospedeiras-Coelhinho
Pior que fazer um trabalho de hospedeira, só fazê-lo sozinha. É por essa razão que são muito bem vindas as colegas, sejam elas quem forem. Como é lógico, nem sempre se tem a sorte de se trabalhar com quem já se conhece, o mais normal é conhecer-se gente nova, boa ou má, porreira ou cretina, como em todos os lados. E é assim que a hospedeira ganha amizades ou inimizades, pois em qualquer dos casos, já se sabe, há pouca coisa que una mais que a desgraça.
Não é das que ficam amigas que quero falar, nem mesmo das inimigas que também pouco duram. Hoje quero verbalizar sobre um tipo de hospedeira específico, que é, quiçá, o verdadeiro estereótipo de hospedeira. Vou chamar-lhe a Hospedeira-Playboy (H.P).
Vamos pôr as coisas neste sentido, se há homens que se chegam com a prosapia imbeciloíde é porque há Hospedeiras-Playboy, se há patrões depravados que nos tratam por Babe e nos mandam pôr as mamas fora do decote é porque há Hospedeiras-Playboy, em suma, se há badalhoquice no honesto metier da hospedagem é porque há Hospedeiras-Playboy.
Como o nome indica, o sonho destas hospedeiras é aparecer na Playboy ou em qualquer publicação do género que faça dinheiro a expor em 2D glândulas insufladas e outras audacias anatómicas. Ora, não se sabe bem se a H.P é hospedeira porque quer dinheiro ou porque realmente quer é aparecer nua em posições de bestiário medieval ao lado de frases sonantes, entre aspas, do género “A mulher que mais admiro é a madre Teresa de Calcutá”, enquanto o leitor exclama folgazão: “Mas que grande puta!”
Uma coisa é certa, a H.P precisa de passar umas temporadas a aturar povão para poder pagar a prestação das mamas, a manutenção do gel das unhas e a cueca rendada que pisca o olho maroto ao patrãozinho, sempre que a desgraçada se curva, qual Cicciolina, para apanhar o brinde caído.
Daí haver um tipo específico de acções para estas hospedeiras de alto gabarito. São elas que vão dançar para Marraquexe, são elas que se despem de pequenos animaizinhos para animar jantares, são elas que fazem reclame a lingerie comestível, são elas que se abanam com as caipirinhas, são elas que se esparramam em capots brilhantes.
E nós, as Só-Hospedeiras, temos que rezar ao panteão para não nos confundirem com elas, pelo menos, durante o expediente.
E lá foi ele, que pôs o D no Dancing. Que convenceu a xavalada a ir passar férias com os pais para Pedras D'el Rei na esperança de apanhar um professor de danças de salão que usasse manga à cava mas que gostasse de mulheres a valer. Que pôs a soteirisse toda a ir às aulas de ceramica lá do bairro, de calçõezinhos, à espera de fantasmas. Que fez do surfista descolorado um novo Adónis. Oh, Se já não havia noite sem o Thriller do Jacko, preparem o saltinho final, porque ninguém escapa ao Time of our Lives. See u in heaven.
Crónicas de uma Hospedeira Explorada apresenta...
...O Ópio do Povo
Marx alinhavou-o de uma maneira sonante mas estava francamente equivocado. Não é a religião, que o povo fuma fervorosamente, que o escraviza. Não são os padres e os frades que tiranizam a plebe, ó não, não. É o brinde.
O Brinde!
O brinde dava um tratado de sociologia, mas um tratado de sociologia jamais daria um brinde, pois o brinde define-se exactamente pela inutilidade que tem, e quanto mais fútil, colorido e grande for, maior o seu poder de sedução.
O brinde é um Scooby-snack que serve meramente para presentear a existência dos mortais. O brinde diz ao indivíduo “sim, a tua vida é merdosa, mas alguém se lembrou de ti, sim, só de ti, das tuas necessidades, das tuas ambições e sonhos, da tua singular e brava viagem pós-caverna-platónica e é por isso que, embora aches que erras por um caótico e ilógico Universo, estás enganado, Nós sabemos o que tu queres e aqui está, toma lá um……. crachá!
O brinde move multidões. Se Moisés tivesse brindes na altura, os hebreus tinham se marimbando para o Maná. Aliás, há quem defenda que o Maná era exactamente o brinde dessa épica maratona. Fosse ou não, uma coisa é certa, se querem a adesão de massas acéfalas a uma marca, há que dar brinde.
A hospedeira existe, invariavelmente para ser a dadora do brinde. E não nos podemos queixar por aí além pois ao menos estamos a exercer o verbo Dar, geralmente mais fácil que o verbo Impingir.
Pois, como dizia, a hospedeira dá o brinde, e o povo recebe. O que parece uma tarefa fácil e gratificante depressa se torna no pior dos infernos. Pois o povo chega a gostar mais de brindes do que do Tom Hanks nos anos 90! E, em poucos segundos, o povo, esse rebanho de macacos amestrados, passa de gremlin bom a gremlin mau!
Há um qualquer fenómeno que muda radicalmente a natureza da pessoa que quer receber de graça um porta-chaves, quando percebe (e percebem logo) que se forem trafulhas podem receber muitos porta-chaves! Claro que o facto do porta-chaves em questão ser um objecto tão horroroso que parece produto excedente de um workshop de artesanato da prisão de Guantanamo, não interessa nada. A única coisa que interessa é que é GRATIS. Ou como a hospedeira tão correctamente anuncia em voz alta, GRATES.
É óbvio que não há almoços grátis neste mundo, mas posso garantir-vos que em compensação existem xanatos, pipocas, ligas de renda, bolas de stress, esferográficas, bloquinhos, rebuçados, chupa-chupas, sticks luminosos, crachás, fitas para chaves, cartões de telemóvel, bebidas, bolachas, preservativos, pulseiras, chapéus de sol, t-shirts, borrifadores, sofás insufláveis e muito muito mais, o céu do marketing é o limite. Claro que, como qualquer produto feito em larga escala, o brinde tem sempre uma qualidade tão boa, que se consegue estragar mesmo sem ninguém lhe tocar, o que também não tem problema nenhum, visto que ninguém recebe só um!
Já vi gente à pancada por brindes, já me prometeram porrada por brindes, já me prometeram outras coisas também, já me puxaram pelo braço, me espetaram o dedinho no ombro, já fugi a correr, já me chamaram ordinarices e já me ofereceram couves. O problema é que o povão tem uma fome voraz das coisas que não são de ninguém e não param até consumirem tudo e, se há uma hospedeira desgraçada pelo meio, tanto pior.
E é assim que a hospedeira se vê a passar de rainha a condenada, de Deus a mortal, de leão a cordeiro, pois se o primeiro brinde é um presente, todos os outros, depois desse, são uma obrigação, e para aguentar a fúria de multidões que tais, só com muito ópio em cima!
...O Ópio do Povo
Marx alinhavou-o de uma maneira sonante mas estava francamente equivocado. Não é a religião, que o povo fuma fervorosamente, que o escraviza. Não são os padres e os frades que tiranizam a plebe, ó não, não. É o brinde.
O Brinde!
O brinde dava um tratado de sociologia, mas um tratado de sociologia jamais daria um brinde, pois o brinde define-se exactamente pela inutilidade que tem, e quanto mais fútil, colorido e grande for, maior o seu poder de sedução.
O brinde é um Scooby-snack que serve meramente para presentear a existência dos mortais. O brinde diz ao indivíduo “sim, a tua vida é merdosa, mas alguém se lembrou de ti, sim, só de ti, das tuas necessidades, das tuas ambições e sonhos, da tua singular e brava viagem pós-caverna-platónica e é por isso que, embora aches que erras por um caótico e ilógico Universo, estás enganado, Nós sabemos o que tu queres e aqui está, toma lá um……. crachá!
O brinde move multidões. Se Moisés tivesse brindes na altura, os hebreus tinham se marimbando para o Maná. Aliás, há quem defenda que o Maná era exactamente o brinde dessa épica maratona. Fosse ou não, uma coisa é certa, se querem a adesão de massas acéfalas a uma marca, há que dar brinde.
A hospedeira existe, invariavelmente para ser a dadora do brinde. E não nos podemos queixar por aí além pois ao menos estamos a exercer o verbo Dar, geralmente mais fácil que o verbo Impingir.
Pois, como dizia, a hospedeira dá o brinde, e o povo recebe. O que parece uma tarefa fácil e gratificante depressa se torna no pior dos infernos. Pois o povo chega a gostar mais de brindes do que do Tom Hanks nos anos 90! E, em poucos segundos, o povo, esse rebanho de macacos amestrados, passa de gremlin bom a gremlin mau!
Há um qualquer fenómeno que muda radicalmente a natureza da pessoa que quer receber de graça um porta-chaves, quando percebe (e percebem logo) que se forem trafulhas podem receber muitos porta-chaves! Claro que o facto do porta-chaves em questão ser um objecto tão horroroso que parece produto excedente de um workshop de artesanato da prisão de Guantanamo, não interessa nada. A única coisa que interessa é que é GRATIS. Ou como a hospedeira tão correctamente anuncia em voz alta, GRATES.
É óbvio que não há almoços grátis neste mundo, mas posso garantir-vos que em compensação existem xanatos, pipocas, ligas de renda, bolas de stress, esferográficas, bloquinhos, rebuçados, chupa-chupas, sticks luminosos, crachás, fitas para chaves, cartões de telemóvel, bebidas, bolachas, preservativos, pulseiras, chapéus de sol, t-shirts, borrifadores, sofás insufláveis e muito muito mais, o céu do marketing é o limite. Claro que, como qualquer produto feito em larga escala, o brinde tem sempre uma qualidade tão boa, que se consegue estragar mesmo sem ninguém lhe tocar, o que também não tem problema nenhum, visto que ninguém recebe só um!
Já vi gente à pancada por brindes, já me prometeram porrada por brindes, já me prometeram outras coisas também, já me puxaram pelo braço, me espetaram o dedinho no ombro, já fugi a correr, já me chamaram ordinarices e já me ofereceram couves. O problema é que o povão tem uma fome voraz das coisas que não são de ninguém e não param até consumirem tudo e, se há uma hospedeira desgraçada pelo meio, tanto pior.
E é assim que a hospedeira se vê a passar de rainha a condenada, de Deus a mortal, de leão a cordeiro, pois se o primeiro brinde é um presente, todos os outros, depois desse, são uma obrigação, e para aguentar a fúria de multidões que tais, só com muito ópio em cima!
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