Plot: "A group of Earth children help a stranded alien botanist return home"
(acho que é capaz de ser O filme que eu salvava do fogo)
"Tia - Filha minha, basta! Quando um homem começa a tocar-te com as palavras, chega longe com as mãos.

Beatriz - As palavras não têm nada de mal.

Tia - As palavras são a pior coisa que há. Prefiro que um bêbedo no bar te apalpe o rabo com as mãos, a que te diga que o teu sorriso voa como uma borboleta.


Beatriz - Estende-se como uma borboleta.

Tia - Voa, estende-se, tanto faz. Consegues ver-te como te vejo eu? Basta tocar-te com um dedo, para te fazer cair.

Beatriz - Estás enganada! É uma pessoa séria.

Tia - Quando se trata de ir para a cama, não há diferença entre um poeta, um padre ou até um comunista."

"O Carteiro de Pablo Neruda"

e no Adamastor também





(a minha foto minha preferida)


do my words scare you?
well, if your in for the honey, you have to handle the bee


(voltar ao Eça, A Capital, vejam só esta passagenzinha deliciosa sobre as personagens lá do clube da tertúlia)

...A esta vaga associação de fanatismos, chamavam, em Coimbra, os Filósofos, ou
também os Ateus. Eles mesmos se denominavam o Cenáculo. E ainda que não havia
sessões regularmente organizadas, quase todas as noites se juntavam no largo quarto do Damião, na Couraça. E Artur sentiu os olhos humedecerem-se-lhe de entusiasmo
quando pela primeira vez, na fumarada dos cigarros, onde os três bicos do candeeiro de latão punham três luzinhas sedentárias, ouviu vozes fanáticas discutirem, em estilo de ode, a Arte, as Religiões, o Panteísmo, o Positivismo, a estupidez dos lentes, o Ser, o Ramaiana, o Messianismo germânico, a Revolução de 89, Mozart e o Absoluto.


Naquela «cavaqueira filosófica», só o forte Teodósio se conservava mudo,
assombrado das ideias, como diante das portas augustas e inacessíveis de um santuário. Mas a sua presença atlética era querida de todo o Cenáculo: além de excelente rapaz, sempre com dez tostões no bolso para partilhar com um condiscípulo pobre, ele tinha uma admiração servil por todos aqueles «génios». Ao lado de tais espíritos, exclusivamente ocupados da Ideia, ele punha a protecção formidável dos seus músculos e da sua moca. Uma noite que o Cenáculo discutia furiosamente Lutero e a Reforma, sentiram-se ao fundo da escada os gritos do filho da servente, espancado por futricas. Todos se ergueram para acudir. Então Teodósio trovejou, alçando a mão:
– Ninguém se mexa! Continue-se a bela discussão! Aqui na casa, para a bordoada,
só eu!
Desceu com a imensa moca e daí a pouco, na rua, era uma debandada aflita de
futricas desbaratados.
Desde então, tacitamente, entre os membros do Cenáculo, que se consideravam
uma aristocracia da Inteligência, semideuses muito acima da obscura humanidade
académica, no cimo de um Olimpo – Teodósio, com os seu bigodes, os seus punhos que erguiam arrobas, e sobretudo a sua tremenda maça, foi o Hércules, o Alcides pagão, o subjugador dos rebeldes – e, ao lado dos Sacerdotes da Ideia, a personificação da Força.
Mas isto não bastava a Teodósio e na sua dedicação pelos «génios» com quem vivia,
para partilhar mais directamente dos seus interesses espirituais, servir utilmente o
Cenáculo, colaborar no culto da Ideia, não podendo fornecer teorias e frases –
encarregava-se pouco a pouco de ir comprando os livros. Filho de proprietários ricos,
com uma mesada abundante, era ele que fornecia a Biblioteca do Cenáculo, e todas as semanas, seguindo as instruções de Damião ou de Cesário, aparecia trazendo em triunfo um volume de Michelet, de Renan, de Taine, ou de Heine, a que cortava as folhas reverentemente, dizendo com ar finório:
– Ora vamos a ver o que diz cá o patrão!
E depois de ter, por um momento, esgazeado os olhos para o livro, concluía
gravemente:
– Já vejo que é obra curiosa e para leitura demorada. Hei-de saboreá-la na cama.
Abandonava o volume a algum do Cenáculo e subia para o quarto a estudar a sua
lição de viola francesa.
Mas conquistara assim o direito de ser um dos Filósofos. Contribuía também
largamente para as despesas do Pensamento – o que o habilitava, se alguém lhe era
antipático, a formular paralelamente estas duas ameaças medonhas: «o peso da sua
moca e uma desanda no jornal». Mas o que o satisfazia mais, era poder pronunciar
frases notáveis que recolhia no Cenáculo: assim, quando saía com os amigos a matar
gatos à moca, nunca deixava de exclamar, mostrando o céu estrelado:
– Isto, rapazes, não é lá qualquer coisa. E a lepra luminosa da face de Deus!
Foi deste modo que Artur se achou, por acaso, no meio que devia desenvolver as
tendências do seu temperamento. Ao princípio, naturalmente, admirou sobretudo os
indivíduos, as personalidades, a fraseologia nova, as excentricidades estranhas; tremeu de entusiasmo, vendo, numa noite de trovoada, na Feira, o próprio Damião tirar o relógio do bolso, um cebolão de prata, e numa atitude de Satã rebelde, dar cinco minutos a Deus para que o fulminasse, e, passados os cinco minutos num grande silêncio do Céu, atirar desdenhosamente o cebolão para a algibeira, dizendo com tédio:
«está superabundantemente provado que não há nada lá no Céu», e acrescentar, olhando para as estrelas: «a não ser algum pó luminoso de Deuses mortos!» Extasiou-se diante do ilustre Fonseca, que, no seu horror pelas expressões vulgares, pedia um bife no Carneiro, exclamando:


«Traga-me uma lasca do velho Ápis, preparado segundo as fórmulas do
progresso!»

Palpitou de simpatia com o humanitário Vilhena, ouvindo-o responder a
quem lhe estranhara a tristeza: «Como querem vocês que o homem ria, quando a
Polónia sofre?» Mas ninguém o impressionou como o grande Marçal, com a sua bela
face clássica, a sua cabeleira, e a impassibilidade marmórea de um Deus da Ática. Teve a glória de o acompanhar uma noite que o Marçal ia ver a sua amante, esposa de um professor do liceu. Na rua estreita, ao chegar debaixo da janela, onde se debruçava um vulto claro, o Marçal, soberbamente sereno, erguendo o rico metal de sua voz, perguntou para cima:
– O veado já saiu?
Do vulto alvo veio como um sopro subtil:
– Foi agora mesmo para o Clube.
E então, desdenhoso da presença de Artur e de uma família que passava, no
mesmo tom sonoro e cheio:

Deita-me então a escada de Romeu,
Que eu suba a ir beijar-te os peitos brancos.

Estas audácias, estas palavras, pareciam a Artur prodigiosas, de uma raça de
homens superiores aos mortais e ansiava por poder imitá-las. O que o exaltava, porém, acima de tudo, era o cavaco – aquele faiscante cavaco do Cenáculo, em que todas as noites se formavam, fumando cigarros, novas concepções do Universo, se decidia em quatro palavras de uma nova Ordem para a Humanidade, com uma pilhéria se aniquilava a glória de um herói, e em que argumentações temerárias iam abalar, no fundo dos Céus, os Deuses mais poderosos. Falavam de todas as mulheres com o esplendor do Cântico dos Cânticos; todo o sonho era bem-vindo – e a própria realidade do mundo tangível parecia esvaecer-se quando o Taveira, arrastando pelo quarto a capa esfarrapada, exclamava, atirando com um grande gesto lírico os braços para o Céu:


A galope, a galope, oh, Fantasia!
Plantemos uma tenda em cada estrela....

adoro quando o Sting rima "cough" com "Nabokov" no "Dont stand so close to me"



e esta é a melhor versão

fui à fabrica de gás da matinha

CARPE DIEM
RUA DO SÉCULO

!


alentejo-em-stencil

GIRLS NIGHT OUT

alguém adivinha que rua é?
pista:é na zona da av.da Liberdade
(Beleza é:
estava o verão a correr tão bem
B
O
R
N
.
T
O
.
R
U
N



ON FIRE

O IDEAL
É IGUAL
A TAL


MAIS
TAL

adoro o Bruce
quase tanto como a mim

estava mesmo aqui, agora, a beber piñas coladas

jimmy buffett o cantor mais foleiro do states, autor de pérolas como "Cheeseburgers in Paradise"


essa é a hora, flutuando na lagoa, veja só que hora boa, não perca essa chance, chá lá lá lá lá