(ainda as cores)
PROENZA SCHOULER FW 2011/12
fotos JAK&JIL


bollywood style

Grizzly Bear vai ao cinema

the concept

always summer. always alone. the fruit always ripe

Crónicas de uma Hospedeira Explorada apresenta...
...A Virgindade

Vê-se logo quando a hospedeira é virgem. E não é por entrar no stand, vestida de branco de véu e grinalda.
Geralmente, é a única desgraçada que está devidamente calada e que faz tudo o que mandam com um rigor soviético. Põe-se muito tesa a um canto, com as mãozitas dadas pela barriga ou atrás das costas, fala com uma vozinha doce-de-morango ao povo, tem uma necessidade de realizar desejos à agência que até mete nojo ao próprio génio do Aladino e consegue (num excitante exercício apenas observado em algumas espécies de habitats desérticos) passar 10 horas sem satisfazer qualquer necessidade fisiológica, seja parar para beber água, comer qualquer coisa ou ir à casa de banho. Nunca precisa de descansar.
Como é a sua primeira vez, está tão orgulhosa do seu profissionalismo que espera que toda a gente bata palmas à sua capacidade andróide de aguentar o impossível. Em suma: A hospedeira virgem é uma imbecil. Está a ser explorada por si própria.

Quando vejo uma destas maçaricas ponho-me logo a abanar a cabeça qual mestre Yoda. Chego-me à moça e prometo-lhe logo um arraial de pancadaria se ela continuar armada em estúpida. Isto porque a desgraçada-junior não percebe que está a furar uma greve constante. Uma luta social com barbas marxistas que tenta fazer valer os direitos das hospedeiras-proletárias no geral e dos mamíferos bípedes em particular.

Por outro lado, vê-se logo quando uma hospedeira é rodada que nem maçaneta de casa de banho pública. Ostenta sempre um ar de quem já sabe quanto é que a casa gasta (o que se vê pelo fácil franzir de sobrolho), está sempre à rasquinha para ir à casa de banho porque, para além do obvio, sempre dá para estar sentada e lançar umas fumaças, consegue forjar um sorriso amarelo com a mesma rapidez com que disfarça o hálito a caril das chamuças roubadas no catering e sabe falar por olhares, nomeadamente dizer “olha me só o vestido desta bimba”, “se o fotografo me tira mais uma foto vou-lhe aos dentes e às lentes” e “é a última vez que me apanham num Congresso Internacional de Fígados”.

Aproximemos a lupa sociológica, pois as diferenças continuam…


Enquanto a hospedeira virgem compra collans a 5€ que lhe duram umas horas, a hospedeira veterana sabe que a melhor marca é aquela das risquinhas azul e branca que se compra nos chineses, “cor-Vison” porque lhe dão um bronze à Caraíbas e custam menos que um bilhete de metro. A h.virgem farta-se de dar graxa à agência, a h.veterana já nem engraxa os sapatos, prefere levar as sabrinas para poupar nas varizes. A h.virgem conta a vida toda às colegas, a h.veterana já sabe perfeitamente que a Ana Cláudia é uma vaca intriguista, a Jessica é uma vadia-rouba-namorados e a cabra da Vanessa faz queixinhas ao patrão. A h.virgem vai comprar lingerie sem costuras especialmente para o trabalho, a h.veterana prefere costurar lingerie só para poupar uns cobres. A h.virgem diz “não, não quero um croquetinho, não se preocupe”, a h.veterana sabe as especialidades de cada catering e o nome dos empregados de cor “Ó Zé Martins, faz-me aí um tupperware com aqueles pastelinhos de carne, boa?”.

Concluindo, se a hospedeira virgem ainda não provou do fruto do bem e do mal, a veterana comeu o pomar todo e ficou com fome. O que vale é que só se é virgem uma vez…
Pronto, já lixei mais uns collans.
La Piscine (1969)

wanted

ohh já só tenho mais 10 dias para andar vestida de inverno
tsss tsss

na carrinha verde
1989-2011


something beautiful

Bill Brandt