Conto da Semana
um dos favourites
(Dedicado aqueles infelizes que estão no trabalho e não podem aceder a sites mais interessantes que este e até nem se importam de ler cronicas de viagens, jornais online, tarots, consultorios medicos e outros e outras de diferentes generos)
Um Casaco de Raposa Vermelha 1/5
Teolinda Gersão
Ao voltar um dia para casa, uma pequena empregada bancaria vê numa loja de peles um casaco de raposa vermelha. Pára diante da vitrine, com um calafrio de prazer e de desejo. Porque aquele é casaco que sempre desejou ter na vida. Nenhum outro de lhe assemelha, pensa percorrendo com os olhos os outros casacos, pendurados num varão de metal ou suavemente estendidos sobre o sofá de brocado. Aquele é uma peça rara, única, jamais vira um tom assim, fulvo, mesclado, com reflexos de cobre e brilhante como se estivesse a arder. A loja estava fechada àquela hora, lembrou-se no momento em que empurrava a porta, cedendo ao impulso de entrar. Amanhã viria, então, o mais cedo possivel, no intervalo do almoço, durante a manhã, encontraria um pertexto para sair rapidamente, a meio da manhã.
Dormiu pouco, essa noite, acordou inquieta, levemente febril. Contou os minutos que faltavam para abrir a loja, os seus olhos erravam do relógio da parede para o relógio de pulso, enquanto atendia os clientes, debruçada no balcão. Tão cedo quanto pode encontrou uma razão para sair e correu à loja de peles, tremendo com a ideia de que o casaco pudesse estar vendido. Não estava, informaram-na, e ela sentiu de repente o ar a voltar-lhe, o coração a bater com menos força, o sangue a descer da face e retomar compassadamente o seu fluxo.
-Parece feito para si, disse a vendedeira quando ela o vestiu e se voltou no espelho. A medida exacta de ombros, da cintura, a altura idela da bainha, disse ainda, e olhe como fica bem à cor da sua pele. Não tenho interesse em lho vender, apressou-se a acrescentar, pode evidentemente optar por qualquer outro mas, se lhe posso dar uma opinião, esse parece feito para si. Exactamente para si, sublinhou com um sorrizo fugidio.
-Qual é o preço? perguntou dando meia volta e fazendo dançar a bainha, porque lhe era dificil despregar os olhos da imagem.
Recuou, assustada, ouvindo a resposta.

4 comentários:

Don Juan di Marte disse...

umas quantas raposas mortas??

Anônimo disse...

não, o casaco era de pele de minhoca sem conservantes

Anônimo disse...

não, minhoca sem consevantes

Anônimo disse...

não,