Quando não consigo dormir penso em cinema...

Odeio sempre o Jeremy Irons e o John Malkovich, nem sequer sei para o que serve o John Malkovich, é de se cuspir em cima. Quanto ao Jeremy Irons, que até tem figura-moço-sensivel-Brideshead-Revisited naquele genero mariconço levemente intelecual que me atrai, cá para mim é sempre um depravado. Será sempre o tipinho mau da Casa dos Espiritos.

Na caixa de lata dos bombons de sabor estranho mas bom, tenho o Belle de Jour, o Peeping Tom, o The Collector, o Último Tango em Paris, quanto mais tempo passa mais gosto deles. Sobretudo do Pierre Clémenti a fazer de Marcel, com aquele ar de só come o que quer e o que come é só dele. E das pinturas do Bacon que são tão iguais aos personagens do Bertolucci.

E mais ainda gosto da Noite, do Eclipse, da Aventura do Antonioni (por esta ordem exata) gosto das mulheres traídas do Antonioni mas mais dos homens fracos, e acho o Blow-up o menos interessante de todos (e era o único que achava que ia gostar.)

Adoro os filmes das adaptações de peças do Tennessee W. valem quase todos uma sexta à noite sem sair do sofá (ainda não vi todos para dar os 100% de certezas).

Os filmes dos anos 80, acalmam-me como o som da maquina a lavar roupa. Mas nos anos 80 havia um imaginario que muito me fascina/atormenta (Dune, Brazil, Flash Gordon, sobretudo o The Adventures of Baron Munchausen e já agora o Naked Lunch que é de 91 mas faz me igual impressão) e as Lynchisses claro, essas atormentam-me sempre que não me aborrecem.

Fellini é bestial, é um circo. É um luxo. É as cores do Satyricon. É uma sinfonia a Itália. Não é nada, é uma ópera.

Gosto a valer do casal Elizabeth Taylor-Richard Burton sobretudo no Whos Afraid of Virginia Woolf e Sophia Loren-Marcello Mastroianni, claro. Ainda gosto mais do Mastroianni "solteiro". Ainda não vi um filme em que não me apetecesse pecar com o Mastroianni. Mas o Mastroianni, oh posso escrever o nome outra vez? O Mastroianni faz personagens tão boas e diferentes como o Augusto Rusconi no Ieri, Oggi, Domani e o Gabriele no Una Giornata Particolare (filme lindo-lindo).

Actriz, actriz para mim é a Katharine Hepburn, mentira, mulher para mim é a Katharine Hepburn (lembram-se dela no Suddently Last Summer a dizer "Sebastian...."). Não resisto também à Audrey Hepburn por razões todas diferentes, mas óbvias.

O Alain Delon merecia-me um pacto à Dr.Fausto. O Paul Newman nem se comenta. E neste momento, trocava os meus vinis do Vangelis por um pedido de casamento do Gregory Peck, tem um arzinho tão integro, que caramba! E só de pensar que passei a adolescencia no Blockbuster a alugar os videos com o Elijah Wood. Que desgraça...(reminiscencias skywalkerianas, lá está).


Gosto das mulheres do Bergman (parecem-me complexas), menos das do Hitchcock (parecem-me complexadas), mais das do Woody Allen (parecem-me mulheres). Gosto das bandas sonoras dos filmes dele, das do Kubrick e das do Wong Kar Wai (deste gosto de tudo, de tudo, de tudo).

Gosto da Ava Gardner na Noite da Iguana. Gosto da parte em que o Dustin Hoffman andava enrolado com a Anne Bancroft no The Graduate. Gosto muito do final do Butch Cassidy and the Sundance Kid. Robert Redford e o Paul N. na Golpada!! E (começa a lamechisse) cena dele a lavar o cabelo da Meryl Streep no África Minha, e a mesma a tomar banho de imersão e beber cerveja a pensar o Clint Madison-County Eastwood e esse paizinho tão bom, no genérico fantástico do The Good The Bad and The Ugly...Ennio Morricone... nem começo a falar dele! Os anos que andei à procura do tema-charleston do Once Upon a Time in America...
...Com o Robert De Niro: Raging Bull, TAXI DRIVERRRRRRRRRRR (tenho que desenvolver um dia a tese sobre a minha panca pelo De Niro que não cola com o paradigma-Jedi-gay)
E depois há aqueles actores em que há ali qualquer coisa estranhta mas cativante, tipo Harvey Keitel e Marlon Brando (hmm não sei se os deixo na mesma linha) mas sim, eles que são intensos que se entendam.
E há os pelo contrário, tipo Alan Rickman e Gary Oldman que têm uma gaveta só para eles que para mim são como comer alcaparras directamente do frasco, só uma a uma.


E outra só para o Philip Seymour Hoffman, que me mete um nojo de frigideira depois do refogado, que tem aquele ar de quem já nasceu suado! Mas é tão bom actor.


Argumentos daqueles em 12 Angry Men, Dogville, Oldboy já vou pensar em mais. Guião em Naked! Humor dos Marx Brother's! Reviravolta de gaja, All About Eve. Reviravolta de gajo, Usual Suspects. Só clichés eu sei, eu sei.

Melhor do Tarantino, Reservoir Dogs, por tudo. Filme que-eu-vou-ver-mais-vezes-na-vida-e-não-há-volta-a-dar: A Múmia. Perdoem.

Cenas que não consigo esquecer: A orgia do Perfume, Diane Lane a voltar de metro para casa e a lembrar-se da queca com o Olivier-this-momment-is-your-life Martinez (Unfaithful), a roleta russa do Christofer Walken no The Deer Hunter, a cena de cama da Winona Rider e Gary Oldman no Dracula de Bram Stocker quando ele para e diz "No, I cannot let this be" (soundtrack é uma das minhas preferidas), quando a cor começa a surgir às personagens de Pleasantville, a visão da biblioteca labirintica do Nome da Rosa (e já agora aquela estranha cena de sexo na cozinha), por falar em sexo estranho, alguém não ficou traumatizado com a Guerra do Fogo (que viamos na escola?!!?!?!), discurso "Tears in rain" no final do Blade Runner, volta de avião no África Minha, quando o Flash Gordon tem que pôr a mão dentro do tronco com o escorpião, andarmos por aqueles corredores retro de hotel, no triciclo do puto do Shining, oh e os beijos do Cinema Paraiso, "ei Mcfly, o Overboard não voa sobre água" no Regresso ao Futuro, o final em aberto ao som da Nina Simone, do Before Sunset, o primeiro beijo numa peça de Lego no Querida Encolhi os Miúdos, "In this country, you gotta make the money first. Then when you get the money, you get the power. Then when you get the power, then you get the woman" e depois uns anos mais tarde "Vanity is my favourite sin" = Pacino (cego a dançar tango perfumado) Scarface e Devils Advocate. Outra cena que nao esqueço, não sei porquê é no filme Color of Night (nem sequer gostei do filme), a gaija aquele genero de actriz puta (genero onde se insere também a Emmanuelle Seigner e a Emmanuelle Beart, nem sei como é que Emmanuelle não virou já adjectivo de puta assim como o Lolita virou sinónimo de ninfeta) a deitar fora o baton vermelho para o copo de água, por solidariedade com o Bruce Willis. Não me vou esquecer do velho papel do christmas cracker do Paciente Inglês, dos zero kilos na balança do magnifico Ferro 3 do Kim Ki-Duk, do taxista-fantástico Roberto Benigni no Night on Earth do Jim Jarmush, da cara da enfermeira má do One Flew Over the Cuckoo's Nest, nem da Kathy Bates (será que ela se atrevia a chamar a um filho Norman?) no Misery, mas há mais, vou é guarda-las para outra insónia.

3 comentários:

Mme I. disse...

Amei o devaneio M. muito cinéfilo :) vero, fiquei com vontade de ver uns quantos filmes desconhecidos.
Acabei de chegar a Lisboa e fico até sábado talvez Qd nos vemos? Parto para a terra dia 7, por isso ando a despedir-me aos takes

R. disse...

Que bom texto Mami filha. Possa discordar em muitos aspectos - nomeadamente no Jeremy Irons - mas adorei a prosa.
Beijos grandes

UIU disse...

Musa Mami

magnifica recolha de afectos cinematográficos; to maravilhado*

como ñ referiste o Takeshi Kitano, aki vai, para uma dessas noites:
http://www.veoh.com/watch/v8660519Pkh5YJEp?h1=kikujiro+(Eng+sub)
http://www.youtube.com/watch?v=LpA5gef3QLk

bjs
:)