"....Dizem muitas vezes que é o que tenho de mais bonito e eu acho que isso significa que não sou bonita. Estes cabelos tão vistosos hei-de mandá-los cortar aos vinte e três anos em Paris, cinco anos depois de ter deixado a minha mãe. Disse: corte. Ele cortou. Tudo num único gesto, para desbastar, a tesoura fria roçou a pele do pescoço. Cairam no chão. Perguntaram-me se os queria, que os embrulhavam. Disse que não.
Depois disso já não disseram que tinha um cabelo bonito, quer dizer, nunca mais o disseram com tanto enfase, como antes me diziam, antes de o cortar. Depois, diziam: tem um belo olhar. O sorriso também não está mal..."

(escrevia a Marguerite n'O Amante, e eu lia e dizia que sim.)

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