Crónicas de uma Hospedeira Explorada apresenta....
Considerações sobre Escadas Rolantes
É qualquer coisa de fascinante barra aborrecido, estar de frente para umas escadas rolantes 6 horas por dia traço dois dias por semana.
Aborrecido, porque estou confinada a trilhar uma área com tão poucos metros rectângulos que nem dá para abater os amburgueres sem H (porque um euro não compra tudo) que costumo papar depressa lá no Mac, enquanto vejo as gentes descendo o Chiado, fintando os tipos dos cães mais as suas flautinhas anémicas.
Fascinante, bem, fascinante porque tenho à minha frente um quadro que muda em cada segundo, tipo cachueira (tem U?) de gente, e toda a sabedoria social que pode advir da atenta contemplação da raça.
Gente. Gente feia a valer. Feia mediavalmente, como só um português no Inverno consegue ser. Gente que desce por um lado e sobe pelo outro. De uma lado saem-me caras e de outro, chamemos-lhe costas, para sermos simpáticos. Até aqui nada de novo.
Concluo então que existem dois tipos de gente feia numa escada rolante; a que dá mais importância à parte das "escadas" e por isso desce ou sobe, fingindo iniciativa. E a que se concentra na parte do "rolantes" e se deixa rolar tranquilamente, com uma expressão bovina, de mão-no-corrimão.
Agora que penso nisso, este corrimão deve ter mais germes que uma daquelas pêgas que faziam sorrir os americanos lá no Vietname, isto se quisermos ser higienicamente corteses. É que praticamente toda a gente passa a manápula pela bela passadeira preta (não fazem de outras cores?), que dá aquele aconchego de borracha que falta à barra das bailarinas.
Gosto de me concentrar na malta que desce. Acabou de chegar. Vem à Fnac comprar o último Miguelsousatavares ou outra pirosada manhosa para pôr no sapatinho. Ou vem roubar qualquer coisa à Natura, quiçá o urso esfrangalhado (salvem-no, please). Ou, terceira hipótese, vêm perguntar-me alguma coisa.....
"ó menina desculpe sa-be-me-dizer-donde-são-mos-lavabos?"
(isto em varias línguas, espanholês, inglês, francês, português vernáculo e outras taras. A malta gosta do típico WC (o que quer dizer, mesmo?) público, deve querer lavar a mãozinha depois do corrimão.
"Olhe desculpe onde é que há aqui uma loja de atoalhados, tipo de turcos e assim tá a ver"
(Não! Próximo)
"Hello, we want to buy traditional things, u know, like wine and the cock"
(-the cock??? "yess the portuguese cock" - começa a ser divertido - "the cock with the colours" - United Cocks of Beneton??? Ahhhh o Galo de Barcelos, esse Ovo de Faberge versão Ibérica)
"Ó menina, onde é que está o pai Natal?"
(Lapónia??? Ah. o tipo de 50 anos e barba falsa que está a apalpar criancinhas e a tirar fotos? Lá em cima, cara avó, só subir as escadinhas.)
"Olhe desculpe, a mim disseram me que aqui no Chiado, havia uma loja para comprar botões e linhas pro ponto cruz"
(Tá desculpada. Próximo)
"Allo, parle vous français? Pingu Dox???? Pingu Dox?"
(Peça ao Pai Natal, tá lá em cima, vá atrás da velhinha , não compreendes pá?? então vai à Fnac comprar o dicionário! Obrigadu)
E por ai fora, a Hospedeira explorada barra fascinada traço aborrecida escreve para esquecer.
Amanhã falaremos sobre o grande fenómeno do stand. A gente que tropeça e cai de cara, de cú e o que houver lá pelo meio, mesmo aos pés dos meus saltos altos Zara, a não perder nos Armazéns do Chiado.
Considerações sobre Escadas Rolantes
É qualquer coisa de fascinante barra aborrecido, estar de frente para umas escadas rolantes 6 horas por dia traço dois dias por semana.
Aborrecido, porque estou confinada a trilhar uma área com tão poucos metros rectângulos que nem dá para abater os amburgueres sem H (porque um euro não compra tudo) que costumo papar depressa lá no Mac, enquanto vejo as gentes descendo o Chiado, fintando os tipos dos cães mais as suas flautinhas anémicas.
Fascinante, bem, fascinante porque tenho à minha frente um quadro que muda em cada segundo, tipo cachueira (tem U?) de gente, e toda a sabedoria social que pode advir da atenta contemplação da raça.
Gente. Gente feia a valer. Feia mediavalmente, como só um português no Inverno consegue ser. Gente que desce por um lado e sobe pelo outro. De uma lado saem-me caras e de outro, chamemos-lhe costas, para sermos simpáticos. Até aqui nada de novo.
Concluo então que existem dois tipos de gente feia numa escada rolante; a que dá mais importância à parte das "escadas" e por isso desce ou sobe, fingindo iniciativa. E a que se concentra na parte do "rolantes" e se deixa rolar tranquilamente, com uma expressão bovina, de mão-no-corrimão.
Agora que penso nisso, este corrimão deve ter mais germes que uma daquelas pêgas que faziam sorrir os americanos lá no Vietname, isto se quisermos ser higienicamente corteses. É que praticamente toda a gente passa a manápula pela bela passadeira preta (não fazem de outras cores?), que dá aquele aconchego de borracha que falta à barra das bailarinas.
Gosto de me concentrar na malta que desce. Acabou de chegar. Vem à Fnac comprar o último Miguelsousatavares ou outra pirosada manhosa para pôr no sapatinho. Ou vem roubar qualquer coisa à Natura, quiçá o urso esfrangalhado (salvem-no, please). Ou, terceira hipótese, vêm perguntar-me alguma coisa.....
"ó menina desculpe sa-be-me-dizer-donde-são-mos-lavabos?"
(isto em varias línguas, espanholês, inglês, francês, português vernáculo e outras taras. A malta gosta do típico WC (o que quer dizer, mesmo?) público, deve querer lavar a mãozinha depois do corrimão.
"Olhe desculpe onde é que há aqui uma loja de atoalhados, tipo de turcos e assim tá a ver"
(Não! Próximo)
"Hello, we want to buy traditional things, u know, like wine and the cock"
(-the cock??? "yess the portuguese cock" - começa a ser divertido - "the cock with the colours" - United Cocks of Beneton??? Ahhhh o Galo de Barcelos, esse Ovo de Faberge versão Ibérica)
"Ó menina, onde é que está o pai Natal?"
(Lapónia??? Ah. o tipo de 50 anos e barba falsa que está a apalpar criancinhas e a tirar fotos? Lá em cima, cara avó, só subir as escadinhas.)
"Olhe desculpe, a mim disseram me que aqui no Chiado, havia uma loja para comprar botões e linhas pro ponto cruz"
(Tá desculpada. Próximo)
"Allo, parle vous français? Pingu Dox???? Pingu Dox?"
(Peça ao Pai Natal, tá lá em cima, vá atrás da velhinha , não compreendes pá?? então vai à Fnac comprar o dicionário! Obrigadu)
E por ai fora, a Hospedeira explorada barra fascinada traço aborrecida escreve para esquecer.
Amanhã falaremos sobre o grande fenómeno do stand. A gente que tropeça e cai de cara, de cú e o que houver lá pelo meio, mesmo aos pés dos meus saltos altos Zara, a não perder nos Armazéns do Chiado.
4 comentários:
Eu diria que é um stand de espectaculos com lugar cativo em pleno chiado...Vê-se de tudo, e até hoje não faltou nada!!
Ele há os "artistas", os freaks, os jovens histéricos à hora de almoço, os estrangeiros deliciados com a nossa cidade, os que são de cá mas não sabem onde é nada, e depois há aqueles que até perguntam onde é o VC, desculpe?, VC, até que uma pessoa arrisca...WC? Sim caramba...Sobe as escadas à direita. E depois de saída vai um penalty...lol...ou para quem ainda não sabe, tropeça no stand e quase q cai.
Fazem ginástica a tentar equilibrar-se, outros até pedem desculpa, e há aqueles que se estatelam ao comprimido e é preciso controlar o riso. E depois rezamos para nenhuma velhinha voltar a cair, senão temos prejuizo antes do natal.
Depois há os doidos do chiado!!
Um amoroso de tão protector que é "Estou aqui para as defender"...Outro que acha interessante perguntar todos os dias do que se trata e se pode levar um flyer...
Depois há o bebado que já discutiu que o pombo do flyer é uma galinha...e do cansaço até lhe disse que o prédio era o galinheiro!!Aí teve piada, só não teve piada quando nos mandou à merda e não ia embora..lá foi expulso e depois disse que matava o segurança!!Não o o matou, mas apanhou-o à saída e deu-lje um "banano" lol
É este o nosso chiado...
Um lugar exclusivo para se apreciar o melhor e o pior das pessoas.
E não esquecer de trazer maquina...
Às vezes invejo-te os dias. Observas os outros, dás umas risadas, maravilhas-te com o português contemporaneo e arranjas inpiração para uma qualquer série que te propnhas fazer. No fundo, é um trabalho deveras criativo, pois que te estimula a criatividade, ao invés de aboserver todos os neurónios minimamente estimulantes e divertidos que tens em ti. Os meus foram-se hoje. Desculpa a falta de piada do que te escrevo. Dias melhores virão.
ena! isto teve muita graça... conta lá os teus dias todos! :)
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